segunda-feira, 23 de março de 2015

Política do Livro e Leitura: Africanidades e Relações Raciais

Realizado com muita reflexão, riqueza e beleza o encontro que contou com a participação de grandes nomes fortaleceu a questão do direito ao livro e a leitura, trazendo também as relações raciais e os espaços que esta discussão ocupa.
O evento teve início com a apresentação do "Slam da Guilhermina".
Seguiu-se com as mesas sobre:

1. A manufatura do livro, interseções e fraturas entre literatura negra e literatura periférica com a presença de  Cidinha da Silva, Mário Augusto Medeiros e Maria Aparecida Silva Bento.
"Enquanto não incorporar as dimensões de Africanidades e Relações Raciais, a Bibliodiversidade não será completa." (Cidinha da Silva)
" Direito à memória, direito à educação, direito à leitura" (Mário Augusto Medeiros)

2. A segunda mesa trouxe a temática: Livro e Leitura: memórias, resistências e inspiração literárias, com Esmeralda Ribeiro, Mariana Assis e Rafael Simões

3. A última mesa trouxe José Castilho, Bel Santos e Miro Nalles falando sobre Biblioteca Comunitária e Bibliodiversidades.

Após muitas conversas e reflexões, o evento foi encerrado com um lindo Sarau.
    

Cidinha da Silva e Maria Aparecida Silva

Maria Aparecida Silva, Mário Augusto Medeiros e Slam da Guilhermina

Escritureiros e mesa com Mariana Assis e Rafael Simões

Rafael Simões e Esmeralda Ribeiro          Mesa - Bel Mayer e José Castilho




 Saiba mais sobre o Slam da Guilhermina: https://www.facebook.com/slamdaguilhermina
Encontro Nacional do Programa Prazer em Ler - IC&A

A semana contou com oficinas de Mobilização de Recursos e Comunicação, Bate-papo com autores, Sarau Literário, Reflexão sobre como comunicamos - Blog e Facebook e Grupos de trabalho sobre os eixos: Gestão Compartilhada, Práticas de Mediação, Plano de Formação, Enraizamento Comunitário, Comunicação e Registro, Incidência em Políticas Públicas, Classificação e Organização de acervo e Mobilização de Recursos.

                                          Família Barros                                                 Polos de Leitura                                             

LiteraSampa - grupos de trabalho - olhando os blogs dos outros polos

Luciana, Iraildes, Cido, Bruninho e Serginho - LiteraSampa

Luciana e Cido

                 Bruninho                                                                            Beto Silva (assessor) e Ninfa Parreiras

Camila (assessora) e Volnei Canônica (coordenador PPL)                                  Momento Sarau

Ana Paula Lisboa (Agência Redes para uma Juventude -RJ) e Elizandra Souza (Agenda da Periferia - Ação Educativa - SP)

Sérgio Vaz e Rodrigo Ciríaco - Sarau Literário - Literatura das Quebradas


Equipe de trabalho do eixo Acervo e Catalogação - Bibliotecários

Apresentação dos grupos de trabalho

Equipe IC&A, mediadores, bibliotecários, coordenadores e gestores dos Polos de Leitura




Conceição Evaristo no Museu Afro Brasil

Aconteceu o Encontro Marcado no Museu Afro Brasil com a escritora Conceição Evaristo.
Autora de diversos livros dentre eles Ponciá Vicêncio, Becos da Memória, Insubmissas lágrimas de mulheres e Olhos d'água.
Conceição Evaristo nasceu em 1946 em uma favela em Belo Horizonte. Filha de lavadeira, morava em um barraco apertado com mais nove irmãos.
Leitora assídua de Guimarães Rosa, Jorge Amado, José Lins do Rego, Drummond de Andrade e Carolina Maria de Jesus.
Também escrevia em seus diários o seu cotidiano sofrido.
Participa da publicação Cadernos Negros com diversos textos literários.

O bate-papo foi repleto de beleza, reflexão e riqueza.
Os convidados, dentre eles escritores, pesquisadores, jovens, professores e apaixonados por literatura e por nossa história e memória.
A intensidade com que Conceição traz os assuntos desperta os envolvidos e emociona.
O encerramento do encontro aconteceu com o lançamento do livro "Olhos d'água" e tarde de autógrafos.

Segue um trechinho do conto:

" Olhos d´água
Conceição Evaristo
Uma noite, há anos atrás, acordei bruscamente e uma estranha pergunta explodiu de minha boca. De que cor eram os olhos de minha mãe? Atordoada, custei reconhecer o quarto da nova casa em que estava morando e não conseguia me lembrar como havia chegado até ali. E a insistente pergunta martelando, martelando. De que cor eram os olhos de minha mãe? Aquela indagação havia surgido há dias, há meses, posso dizer. Entre um afazer e outro, eu me pegava pensando de que cor seriam os olhos de minha mãe. E o que a princípio tinha sido um mero pensamento interrogativo, naquela noite se transformou em uma dolorosa pergunta carregada de um tom acusatório. Então, eu não sabia de que cor eram os olhos de minha mãe? 
Sendo a primeira de sete filhas, desde cedo, busquei dar conta de minhas próprias dificuldades, cresci rápido, passando por uma breve adolescência. Sempre ao lado de minha mãe aprendi a conhecê-la. Decifrava o seu silêncio nas horas de dificuldades, como também sabia reconhecer, em seus gestos, prenúncios de possíveis alegrias. Naquele momento, entretanto, me descobria cheia de culpa, por não recordar de que cor seriam os seus olhos. Eu achava tudo muito estranho, pois me lembrava nitidamente de vários detalhes do seu corpo. Da unha encravada do dedo mindinho do pé esquerdo... Da verruga que se perdia no meio da cabeleira crespa e bela... Um dia, brincando de pentear boneca, alegria que a mãe nos dava quando, deixando por uns momentos o lava-lava e o passa-passa das roupagens alheias, se tornava uma grande boneca negra para as filhas, descobrimos uma bolinha escondida bem no couro cabeludo ela. Pensamos que fosse carrapato. A mãe cochilava e uma de minhas irmãs, aflita, querendo livrar a boneca-mãe daquele padecer, puxou rápido o bichinho. A mãe e nós rimos e rimos e rimos de nosso engano. A mãe riu tanto das lágrimas escorrerem. Mas, de que cor eram os olhos dela? 
Eu me lembrava também de algumas histórias da infância de minha mãe. Ela havia nascido em um lugar perdido no interior de Minas. Ali, as crianças andavam nuas até bem grandinhas. As meninas, assim que os seios começavam a brotar, ganhavam roupas antes dos meninos. Às vezes, as histórias da infância de minha mãe confundiam-se com as de minha própria infância. Lembro-me de que muitas vezes, quando a mãe cozinhava, da panela subia cheiro algum. Era como se cozinhasse, ali, apenas o nosso desesperado desejo de alimento. As labaredas, sob a água solitária que fervia na panela cheia de fome, pareciam debochar do vazio do nosso estômago, ignorando nossas bocas infantis onde as línguas brincavam a salivar sonho de comida. E era justamente nos dias de parco ou nenhum alimento que ela mais brincava com as filhas...

[1] Conto publicado em Cadernos Negros 28, São Paulo, Quilombhoje, 2005.
Publicado em Contos do mar sem fim, Rio de Janeiro :Pallas, Guine-Bissau:Ku Si Mon, Angola: Chá de Caxindé, 2010.


                            
Neide de Almeida


Conceição Evaristo e Neide de Almeida

Osvaldo Faustino

Osvaldo de Camargo, Sidinéia, Bruno, Neide, Ketlin, Silvani, Rafael e Bel

Equipe do Museu Afro com Conceição Evaristo e Bel Mayer



quarta-feira, 11 de março de 2015

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