domingo, 30 de março de 2014

Festival de Cultura Árabe leva autor e contador de histórias Giba Pedroza à 
Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura

A alegria e simpatia de Giba Pedroza encantou à todos os participantes do bate-papo com autor no dia 26 de março. Trazendo diversas histórias do universo infantil, principalmente do livro Nasrudin, Giba encantou, alegrou e emocionou jovens e adultos que não tiravam os olhos de suas mãos encantadas, de seus olhos mergulhados na emoção e com os ouvidos atentos à beleza literária. Depois de ouvir muitas histórias foi realizado um bate-papo.





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Escritureiros realiza 1º Clube de Leitura na Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura 


















Além da leitura do livro de Luiz Ruffato "Estive em Lisboa e lembrei de você", o grupo fez a leitura do Discurso que ele apresentou na Feira do Livro em Frankfurt, o que causou muitas polêmicas.
Leia o discurso na íntegra.

Discurso do escritor Luiz Ruffato na abertura da Feira do Livro de Frankfurt:
"O que significa ser escritor num país situado na periferia do mundo, um lugar onde o termo capitalismo selvagem definitivamente não é uma metáfora? Para mim, escrever é compromisso. Não há como renunciar ao fato de habitar os limiares do século 21, de escrever em português, de viver em um território chamado Brasil. Fala-se em globalização, mas as fronteiras caíram para as mercadorias, não para o trânsito das pessoas. Proclamar nossa singularidade é uma forma de resistir à tentativa autoritária de aplainar as diferenças.
O maior dilema do ser humano em todos os tempos tem sido exatamente esse, o de lidar com a dicotomia eu-outro. Porque, embora a afirmação de nossa subjetividade se verifique através do reconhecimento do outro --é a alteridade que nos confere o sentido de existir--, o outro é também aquele que pode nos aniquilar... E se a Humanidade se edifica neste movimento pendular entre agregação e dispersão, a história do Brasil vem sendo alicerçada quase que exclusivamente na negação explícita do outro, por meio da violência e da indiferença.
Nascemos sob a égide do genocídio. Dos quatro milhões de índios que existiam em 1500, restam hoje cerca de 900 mil, parte deles vivendo em condições miseráveis em assentamentos de beira de estrada ou até mesmo em favelas nas grandes cidades. Avoca-se sempre, como signo da tolerância nacional, a chamada democracia racial brasileira, mito corrente de que não teria havido dizimação, mas assimilação dos autóctones. Esse eufemismo, no entanto, serve apenas para acobertar um fato indiscutível: se nossa população é mestiça, deve-se ao cruzamento de homens europeus com mulheres indígenas ou africanas - ou seja, a assimilação se deu através do estupro das nativas e negras pelos colonizadores brancos.
Até meados do século 19, cinco milhões de africanos negros foram aprisionados e levados à força para o Brasil. Quando, em 1888, foi abolida a escravatura, não houve qualquer esforço no sentido de possibilitar condições dignas aos ex-cativos. Assim, até hoje, 125 anos depois, a grande maioria dos afrodescendentes continua confinada à base da pirâmide social: raramente são vistos entre médicos, dentistas, advogados, engenheiros, executivos, jornalistas, artistas plásticos, cineastas, escritores.
Invisível, acuada por baixos salários e destituída das prerrogativas primárias da cidadania --moradia, transporte, lazer, educação e saúde de qualidade--, a maior parte dos brasileiros sempre foi peça descartável na engrenagem que movimenta a economia: 75% de toda a riqueza encontra-se nas mãos de 10% da população branca e apenas 46 mil pessoas possuem metade das terras do país. Historicamente habituados a termos apenas deveres, nunca direitos, sucumbimos numa estranha sensação de não pertencimento: no Brasil, o que é de todos não é de ninguém...
Convivendo com uma terrível sensação de impunidade, já que a cadeia só funciona para quem não tem dinheiro para pagar bons advogados, a intolerância emerge. Aquele que, no desamparo de uma vida à margem, não tem o estatuto de ser humano reconhecido pela sociedade, reage com relação ao outro recusando-lhe também esse estatuto. Como não enxergamos o outro, o outro não nos vê. E assim acumulamos nossos ódios --o semelhante torna-se o inimigo.
A taxa de homicídios no Brasil chega a 20 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes, o que equivale a 37 mil pessoas mortas por ano, número três vezes maior que a média mundial. E quem mais está exposto à violência não são os ricos que se enclausuram atrás dos muros altos de condomínios fechados, protegidos por cercas elétricas, segurança privada e vigilância eletrônica, mas os pobres confinados em favelas e bairros de periferia, à mercê de narcotraficantes e policiais corruptos.
Machistas, ocupamos o vergonhoso sétimo lugar entre os países com maior número de vítimas de violência doméstica, com um saldo, na última década, de 45 mil mulheres assassinadas. Covardes, em 2012 acumulamos mais de 120 mil denúncias de maus-tratos contra crianças e adolescentes. E é sabido que, tanto em relação às mulheres quanto às crianças e adolescentes, esses números são sempre subestimados.
Hipócritas, os casos de intolerância em relação à orientação sexual revelam, exemplarmente, a nossa natureza. O local onde se realiza a mais importante parada gay do mundo, que chega a reunir mais de três milhões de participantes, a Avenida Paulista, em São Paulo, é o mesmo que concentra o maior número de ataques homofóbicos da cidade.
E aqui tocamos num ponto nevrálgico: não é coincidência que a população carcerária brasileira, cerca de 550 mil pessoas, seja formada primordialmente por jovens entre 18 e 34 anos, pobres, negros e com baixa instrução.
O sistema de ensino vem sendo ao longo da história um dos mecanismos mais eficazes de manutenção do abismo entre ricos e pobres. Ocupamos os últimos lugares no ranking que avalia o desempenho escolar no mundo: cerca de 9% da população permanece analfabeta e 20% são classificados como analfabetos funcionais --ou seja, um em cada três brasileiros adultos não tem capacidade de ler e interpretar os textos mais simples.
A perpetuação da ignorância como instrumento de dominação, marca registrada da elite que permaneceu no poder até muito recentemente, pode ser mensurada. O mercado editorial brasileiro movimenta anualmente em torno de 2,2 bilhões de dólares, sendo que 35% deste total representam compras pelo governo federal, destinadas a alimentar bibliotecas públicas e escolares. No entanto, continuamos lendo pouco, em média menos de quatro títulos por ano, e no país inteiro há somente uma livraria para cada 63 mil habitantes, ainda assim concentradas nas capitais e grandes cidades do interior.
Mas, temos avançado.
A maior vitória da minha geração foi o restabelecimento da democracia - são 28 anos ininterruptos, pouco, é verdade, mas trata-se do período mais extenso de vigência do estado de direito em toda a história do Brasil. Com a estabilidade política e econômica, vimos acumulando conquistas sociais desde o fim da ditadura militar, sendo a mais significativa, sem dúvida alguma, a expressiva diminuição da miséria: um número impressionante de 42 milhões de pessoas ascenderam socialmente na última década. Inegável, ainda, a importância da implementação de mecanismos de transferência de renda, como as bolsas-família, ou de inclusão, como as cotas raciais para ingresso nas universidades públicas.
Infelizmente, no entanto, apesar de todos os esforços, é imenso o peso do nosso legado de 500 anos de desmandos. Continuamos a ser um país onde moradia, educação, saúde, cultura e lazer não são direitos de todos, mas privilégios de alguns. Em que a faculdade de ir e vir, a qualquer tempo e a qualquer hora, não pode ser exercida, porque faltam condições de segurança pública. Em que mesmo a necessidade de trabalhar, em troca de um salário mínimo equivalente a cerca de 300 dólares mensais, esbarra em dificuldades elementares como a falta de transporte adequado. Em que o respeito ao meio-ambiente inexiste. Em que nos acostumamos todos a burlar as leis.
Nós somos um país paradoxal.
Ora o Brasil surge como uma região exótica, de praias paradisíacas, florestas edênicas, carnaval, capoeira e futebol; ora como um lugar execrável, de violência urbana, exploração da prostituição infantil, desrespeito aos direitos humanos e desdém pela natureza. Ora festejado como um dos países mais bem preparados para ocupar o lugar de protagonista no mundo --amplos recursos naturais, agricultura, pecuária e indústria diversificadas, enorme potencial de crescimento de produção e consumo; ora destinado a um eterno papel acessório, de fornecedor de matéria-prima e produtos fabricados com mão de obra barata, por falta de competência para gerir a própria riqueza.
Agora, somos a sétima economia do planeta. E permanecemos em terceiro lugar entre os mais desiguais entre todos...
Volto, então, à pergunta inicial: o que significa habitar essa região situada na periferia do mundo, escrever em português para leitores quase inexistentes, lutar, enfim, todos os dias, para construir, em meio a adversidades, um sentido para a vida?
Eu acredito, talvez até ingenuamente, no papel transformador da literatura. Filho de uma lavadeira analfabeta e um pipoqueiro semianalfabeto, eu mesmo pipoqueiro, caixeiro de botequim, balconista de armarinho, operário têxtil, torneiro-mecânico, gerente de lanchonete, tive meu destino modificado pelo contato, embora fortuito, com os livros. E se a leitura de um livro pode alterar o rumo da vida de uma pessoa, e sendo a sociedade feita de pessoas, então a literatura pode mudar a sociedade. Em nossos tempos, de exacerbado apego ao narcisismo e extremado culto ao individualismo, aquele que nos é estranho, e que por isso deveria nos despertar o fascínio pelo reconhecimento mútuo, mais que nunca tem sido visto como o que nos ameaça. Voltamos as costas ao outro --seja ele o imigrante, o pobre, o negro, o indígena, a mulher, o homossexual-- como tentativa de nos preservar, esquecendo que assim implodimos a nossa própria condição de existir. Sucumbimos à solidão e ao egoísmo e nos negamos a nós mesmos. Para me contrapor a isso escrevo: quero afetar o leitor, modificá-lo, para transformar o mundo. Trata-se de uma utopia, eu sei, mas me alimento de utopias. Porque penso que o destino último de todo ser humano deveria ser unicamente esse, o de alcançar a felicidade na Terra. Aqui e agora."
Equipe do LiteraSampa se encontra para formação e planejamento das ações



Tema do mês: Voluntariado

       Jovens da Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura visitam exposição "Grimm Agreste"


A exposição Grimm Agreste se encontra no SESC Interlagos e traz ao público o encantamento dos contos dos Irmãos Grimm, com uma exposição totalmente interativa e encantadora. 


Encantados depois da exposição!

   
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quarta-feira, 19 de março de 2014

"Contemplo o lago mudo
Que a brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece"
Fernando Pessoa (Fragmento de "Contemplo o lago mudo", Cancioneiro)

terça-feira, 18 de março de 2014

Encontro Cine Debate na Biblioteca Caminhos da Leitura

Você é nosso convidado especial!


domingo, 16 de março de 2014

“Bate-papo com o autor Giba Pedroza no contexto do V Festival Sul-Americano da Cultura Árabe”, em Parelheiros


O encontro está agendado para o dia 26/03, às 14h, na Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura, iniciativa pioneira, a única da região criada com o apoio do Instituto Brasileiro de Estudo e Apoio Comunitário - IBEAC juntamente com os jovens ESCRITUREIROS.

No contexto do Festival SACA que acontece de 18 a 31 de março, a iniciativa “Bate-papo com  autor” do projeto  Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura , contará com a presença de Giba Pedroza, pioneiro na arte da narração de histórias. Desde 1987, Giba trabalha com contos e literatura infantis e já atuou em diversas localidades do Brasil e do mundo. Giba Pedroza é escritor, contador de histórias e pesquisador de literatura infantil e tradição oral e vem realizando apresentações e oficinas para educadores e crianças em escolas e espaços culturais diversos. Foi redator, produtor e roteirista de programas televisivos e radiofônicos destinados ao público infantil. Fundou núcleos de pesquisa e divulgação das histórias. Idealizou e participou de importantes eventos e encontros de contadores de histórias. Na literatura, publicou “Alecrim Dourado e Outros Cheirinhos de Amor”, com a escritora Lenice Gomes (Cortez editora) e participou também das coletâneas “Histórias de Quem Conta Histórias” (Cortez editora) e “Contos do Quintal” (editora Globo), além de ser também colaborador das revistas Crescer e Nova Escola. Em 2012 lançou “A Lenda do Preguiçoso e Outras Histórias” (Cortez Editora).
O projeto que realiza a iniciativa “Bate-papo com Autor”. foi criado com o objetivo de levar para Parelheiros o estímulo para a leitura, e isso inclui a escolha do autor, obras lidas, breve pesquisa sobre a vida e obra do autor, enfim, é um momento de grande troca, escuta e aproximação entre o leitor, a obra, o autor e o gênero literário.
Os autores partilham seu processo como criadores literários, os desafios, a motivação e a sua história de vida. O leitor traz seu universo de curiosidade e a emoção de conhecer um autor e poder conversar sobre o seu livro, suas experiências e sai do encontro ainda mais motivado a ler livros literários, não somente deste autor, mas de outros com o mesmo gênero e tantos outros, além de se sentirem desafiados e motivados a escrever suas próprias estórias..

A Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura

Foi a primeira biblioteca comunitária criada no bairro Colônia, na região de Parelheiros, com o apoio do Instituto Brasileiro de Estudo e Apoio Comunitário - Ibeac juntamente com os jovens ESCRITUREIROS, em um espaço da UBS (Unidade Básica de Saúde).

Desde 2010 a Biblioteca funciona em um espaço no mesmo bairro, cedido pelo Cemitério dos Protestantes, que é o mais antigo de São Paulo, fundado pelos primeiros alemães que chegaram ao Brasil.
Hoje a biblioteca tem um espaço aconchegante, com uma área verde grande (jardim), ela é baseada na PERMACULTURA, que é o uso da natureza sem destruí-la, com tinta de terra, coleta de água da chuva, banco de adobe e horta. 

A Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura integra o Polo de Leitura LiteraSampa que reúne 05 bibliotecas comunitárias; são realizados empréstimos de livros de literatura, mediações de leitura para crianças, jovens, bebês e gestantes em UBS, Creches e na Biblioteca.

No mesmo espaço também são promovidas ações culturais como Saraus, Cortejo Literário, Mediações de Leitura e Formação para a equipe de mediadores para a comunidade.

Sobre o V Festival Sul-Americano da Cultura Árabe (SACA)
Estas exposições integram os eventos de abertura do V Festival Sul-Americano da Cultura Árabe (18 a 31 de março), o maior festival de cultura árabe do mundo (mais de 150 ações que acontecem simultaneamente em várias cidades e países), com a intenção de fortalecer o vínculo entre a América do Sul e os Países Árabes com base no respeito à diversidade cultural e nos laços históricos, além de promover a cultura de paz por meio da aproximação dos povos

Serviço:
O que: Bate-papo com Autor Giba Pedroza no contexto do V Festival Sul-Americano da Cultura Árabe”.
Quando: 26 de março (4ª.feira), das 14hàs 16h
Local: Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura - Rua Sachio Nakao, 28 - Colônia- Parelheiros
Participação gratuita!

Evento na BibliASPA


CONVITE

A BibliASPA – Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul - Países Árabes e o Centro Cultural São Paulo têm a honra de convidar Vossa Senhoria para a abertura do V Festival Sul-Americano da Cultura Árabe (SACA), que se realizará no dia dezoito de março de 2014, a partir das 20h30, no Centro Cultural São Paulo (CCSP).

Os convidados poderão apreciar uma breve apresentação musical de percussão árabe, seguida de um concerto, cujo destaque será o instrumento musical qanun/القانون, em uma cooperação artística entre Brasil e Tunísia.

SERVIÇO
Abertura do V Festival Sul-Americano da Cultura Árabe
Dia 18/03/14 (3ª. feira) das 20h30 às 22h
Rua Vergueiro, 100 – Paraíso – São Paulo

Programação completa do V Festival SACA, de 18 a 31 de março: http://migre.me/ijm8U ou

sexta-feira, 14 de março de 2014

14 de Março - Dia Nacional da Poesia


Para celebrar o Dia Nacional da Poesia nada mais justo de lembrar dos escritores anônimos da nossa São Paulo. Segue uma poesia escrita por Cido Cruz- Escritor e Mediador de Leitura do Polo LiteraSampa.