Bel participa do evento da Consciência Negra em São José dos Campos que faz parte da programação do Projeto Obatalá
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
domingo, 19 de outubro de 2014
O Ônibus-Biblioteca-Comunitária da Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura está quse pronto. Localizado na bairro da Barragem, o ônibus levará para a comunidade um espaço de muita literatura, arte, cultura e convivência.
No sábado dia 18/10 realizamos mais um multirão que contou com a parceria do nosso grande amigo Helder Oliveira, equipe da Escola da Família do Joaquim, amigos e parentes. Muito obrigada à todos pela parceria e produções maravilhosas.








No sábado dia 18/10 realizamos mais um multirão que contou com a parceria do nosso grande amigo Helder Oliveira, equipe da Escola da Família do Joaquim, amigos e parentes. Muito obrigada à todos pela parceria e produções maravilhosas.
Os jovens Escritureiros fizeram da semana da criança na Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura momentos de muita literatura, brincadeiras e risos.
Com uma programação realizada com as instituições parceiras (Escolas Belkice e Lucas e CCA Barragem)
A programação que homenageou essa data foi:
9/10 - Cine Debate com o filme "A Fantástica Fábrica de Chocolate" - realizada na Escola Belkice Manhães Reis para os alunos do Ensino Fundamental
10/10 - Gincana Literária com as crianças do CCA Barragem na Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura
13/10 - Piquinilivros com os alunos da Escola Lucas Roschel Rasquinho





Com uma programação realizada com as instituições parceiras (Escolas Belkice e Lucas e CCA Barragem)
A programação que homenageou essa data foi:
9/10 - Cine Debate com o filme "A Fantástica Fábrica de Chocolate" - realizada na Escola Belkice Manhães Reis para os alunos do Ensino Fundamental
10/10 - Gincana Literária com as crianças do CCA Barragem na Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura
13/10 - Piquinilivros com os alunos da Escola Lucas Roschel Rasquinho
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Um
outro aquilo: a poesia que atravessa a rua
Um outro aquilo: a poesia que atravessa a rua Confira texto de Volnei
Canônica para a
Festa Literária Internacional de Paraty 2014
Mesa Movimento por um Brasil literário
Um outro aquilo: a poesia que atravessa a rua
Volnei Canônica
O
inverno sempre gelava o uniforme. O nariz escorria até chegar nos punhos da jaqueta.
O caminho da escola era curto. Era atravessar a rua, logo ali na outra margem.
Não era rio, mas assim se fazia.
A
escola era a possibilidade de ser. Atravessar a rua exigia cuidado. Tinha que
olhar para os dois lados. Atravessar era transpor, já dizia a palavra. Na
cadeira dura e gelada, o mundo se materializava nas palavras da
professora. Era um mundo descrito por ela e outro desenhado por mim.
E
foi num dia, na terceira série, leia-se 9 anos, que a minha educação não
acordou comigo e ficou lá esquentando-se embaixo das cobertas. No quadro, as
letras somavam-se e surgia “Ou isto, ou aquilo”, da Cecília Meireles:
Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão, não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
Ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
Quando o ponto final se escorou na última letra “o”
do “aquilo”, eu, que tinha aprendido com meus pais a nunca desafiar os mais
velhos, gritei: − Não concordo!
A professora não entendendo o que se passava,
perguntou: − Não concorda com o que?
− Com isto ou aquilo – respondi.
Ainda com um ar de interrogação, ela me disse: −
Não entendi.
− Professora, por que só tenho duas opções? Por que
não posso usar luva com anel? E eu até já vi que chove em dia de sol.
A professora me disse: − Isso é poesia!
Então, foi nesse desacordo que a palavra “poesia”
se apresentou. Mais tarde, ainda na escola, ouvi dizer que a poesia era igual a
um queijo suíço, cheio de buracos, cheio de furos, e o que preenchia esses furos era a minha imaginação.
Pensei eu: − se isso é verdade, então não posso
chamar isso de furos e sim de crateras.
Veio o tempo em que a poesia ocupou o espaço para
representar meus amores. Usava a poesia para conquistar. Era o cafajeste
poético!
Depois quis ser rebelde e achei que era
poeta. Com rimas e versos tortos anunciava meu desespero de me encaixar e
desencaixar no mundo. O meu movimento de estranhamento e de beleza. E chegou a
época de estudar poesia. Estudar poetas, fases, movimentos.
Mas o que o “Ou isto ou aquilo” me trouxe foi
realmente inquietude. A vontade de não ter apenas duas possibilidades, mas uma
gama de opções. Cecília Meireles inaugurou isso em mim dizendo “mas não
consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo”, me fazendo
desafiar a professora para ter um “aquilo outro”.
Hoje penso que se “Ou isto ou aquilo” não tivesse
chegado pra mim, talvez eu não estivesse trabalhando na promoção da leitura.
Talvez o meu discurso não estaria imbuído da ideia de que a literatura me dá
muito mais opções do que “um ou outro”, “isto ou aquilo”, “aquele ou aquela”,
“seu ou sua”.
Estou certo de que Cecília sabia disso quando
escreveu esse poema que fala de algo que acredito muito: a necessidade de
conhecer as opções a partir de todas as possibilidades, para então escolher.
No meu coração convive em harmonia a possibilidade
de existir leitores e não-leitores. Na minha cabeça reina a ideia de que isso
seja uma escolha. E só escolhemos o que conhecemos. Quando aceitamos algo que
não conhecemos é porque alguém está escolhendo em nosso lugar. Ser ou não
leitor tem que ser uma escolha, não uma opção.
Mas assim como eu, muitas crianças tiveram “isto ou
aquilo” em seu caminho, como por exemplo, a Alice, uma menina que viveu sob o
mesmo céu pernambucano de Ariano Suassuna.
Em um relato permeado por suspiros e sorrisos, a
educadora da Biblioteca Comunitária Coque de Recife, Betânia Herrera, me contou
que o livro Ou Isto ou aquilo, coletânea de poemas de Cecília
Meireles teve suas páginas roubadas uma a uma, dia a dia, como um calendário
que tem suas folhas arrancadas depois que os dias de ontem dão espaço aos dias
de hoje. As páginas sumiam da brochura, dando adeus à Biblioteca do Coque, e se
empilhavam na casa de Alice. Foram-se uma a uma assim como um cortejo de
formigas, ficando só a capa.
Quando a educadora Betânia se deu conta de que o
livro já era só casca, que sua polpa já havia sido sugada, quis descobrir o
quem tinha acontecido.
Bem, dedo-duro no mundo não falta! Logo o nome de
Alice apareceu. Então, assim como se entrega um presente, a educadora deu à
Alice a capa do livro, dizendo: − Isso te pertence! Fica com a capa do teu
livro.
Este era o papel de uma educadora? Porque Betânia
não se tornou a Rainha de Copas dessa Alice, apontando o dedo da repressão
dizendo: − Foi você! Cortem-lhe a cabeça!
Que experiência Alice teria tido com a poesia se
tivesse sido abordada dessa maneira? Qual a biblioteca que queremos? Qual o
leitor que estamos ajudamos a formar?
Fico imaginando todas as estratégias de Alice para
ter os seus poemas. O frenesi para roubar “Colar de Carolina”, o suador para
ter o “Leilão de jardim”, quantas unhas foram ruídas antes de “O menino azul”
se esconder no seu quarto.
Estudo poesia e se tiver que conceituá-la posso não
saber. Mas tenho certeza que essa experiência da Alice é pura poesia.
Uma história não deixa de puxar outra, como o fio
de Ariadne no labirinto do minotauro, que nos conduz por caminhos. A minha
experiência com “Ou isto ou aquilo” me possibilitou conhecer a aventura de
Alice, que puxou pra mim o conto de Clarice Lispector “Felicidade clandestina”,
que traz o desejo da menina de ter o livro Reinações de Narizinho,
que puxa a poesia visual de uma foto da flor do mulungu, flor preferida da
Emília, se abrindo em vermelho no céu azul de Guaratiba. Bem, mas isso são
outras histórias, outras poesias, outras vivências.
Acho que pouco sei de poesia. Mas sei que poesia
não é sardinha na boca de foca. Não é recompensa!
O que sei foi que a poesia me desafiou desde o
primeiro momento, me inquietou, me apoderou para trazer a minha opinião.
Poesia é ter de olhar para os dois lados, para
cima, para baixo, antes de atravessá-la.
Naquele final da manhã, quando atravessei a rua
novamente, já estava praticando a filosofia de Heráclito: “Você não atravessa o
mesmo rio duas vezes”. Voltava pra casa mais atrevido, mais poético!
Não consigo afirmar porque a poesia me fez mexer a
bunda na cadeira gelada e estufar o peito, nem porque os poemas grudaram na mão
de Alice e quiseram ir embora com ela.
Só sei que foi assim.
Conheça os textos dos outros participantes da mesa na página do MBL. (Ninfa Parreiras, Flávio de Araújo, Luis Dill e Simone de Araújo)
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
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