sexta-feira, 30 de maio de 2014

Janine Duran da Companhia das Letras fala sobre o 
Programa Clube de Leitura 

http://www.blogdacompanhia.com.br/2014/05/clubes-de-leitura-conexao-em-rede-remicao-de-pena-e-outras-historias/#comments

Clubes de Leitura: conexão em rede, remição de pena e outras histórias

Por Janine Durand

Há quatro anos, quando começamos o projeto dos clubes de leitura, tínhamos o desejo simples de abrir espaço para o compartilhamento de ideias, para a escuta e o diálogo tendo o livro como razão principal desse encontro. O maior desafio, no entanto, era fazer com que as pessoas se juntassem aos clubes não apenas uma, duas vezes, mas que transformassem um encontro casual e circunstancial num ritual que se repetiria a cada mês, mas que seria único como todo encontro com o outro deve e pode ser.
O primeiro passo seria construir uma ponte entre as pessoas e os livros, e neste sentido a presença de um mediador de leitura era estratégico e fundamental. Era ele que daria o tom descontraído e acolhedor (e para tanto precisava ser um leitor de livros e de gente), ao mesmo tempo em que o mediador se comportaria como a figura central no sentido de equilibrar os tempos de fala (é, às vezes tem gente que se empolga e nem percebe que falou 20 minutos sem parar…). O mediador também precisava ser um bom “perguntador”, aquecendo e ampliando os debates (sem nunca fechar a discussão).
Os ingredientes para os clubes: cadeiras em círculo, mediadores bem escolhidos, leitores abertos ao encontro, livros selecionados com cuidado, parceiros comprometidos (livrarias, bibliotecas, ONGs e institutos, penitenciária, escolas, clubes, entre outros) e uma equipe leitora e empolgada fizeram deste projeto um projeto permanente da Companhia das Letras. Atualmente, o Programa de Clubes de Leitura reúne cerca de 800 pessoas, em 50 clubes de leitura que ocorrem mensalmente em 12 cidades brasileiras. Isso é ainda pouco para um Brasil que não é considerado leitor, mas representa sem dúvida um bom incentivo se pensarmos que são 9600 leituras realizadas por ano.
Dois grandes acontecimentos marcaram o Programa no mês de abril:
O primeiro foi a vinda dos nossos 50 mediadores para o II Encontro de mediadores de clubes de leitura, nos dias 15 e 16 de abril; encontro esse que contou com a presença de Mia Couto, Milton Hatoum e Lilia Schwarcz. Além do diálogo profundo e sensível com os autores convidados, o evento fortaleceu nossa conexão em rede e aguçou o sentimento de estarmos todos trabalhando num programa democrático de acesso e incentivo à leitura. Além do mais, a atividade revelou como a aparente ação solitária de cada mediador está, na verdade, apoiada por uma rede que a partir de novos diálogos amplia suas possibilidades de criação e ação.
O segundo acontecimento, tão importante quanto o primeiro, foi anunciado no dia em que fizemos um encontro especial com Juan Pablo Villalobos, autor de Festa no Covil, livro selecionado pelas detentas da Penitenciária Feminina de Sant’Ana. Apoiamos e mediamos este clube há quase três anos, e ele foi escolhido, pela diretoria de educação desta penitenciária, para ser o projeto piloto na implementação da lei de remição de pena pela leitura. Esta lei, aprovada em 2013, prevê que um livro lido mensalmente pode diminuir em quatro dias a pena do leitor, abrindo a possibilidade aos detentos que queiram ler doze livros em um ano, de ter sua pena diminuída em quarenta e oito dias. Entendemos que esta aprovação é um avanço inestimável aos detentos e à sociedade, pois ao colocar a educação e o livro no centro de um processo de remição, além do estudo e do trabalho, atribui valor ao que de fato pode resultar numa experiência transformadora. Nossa aposta é que o livro abre portas para as relações entre real e simbólico, interpretações, metáforas, aquisição de linguagem e ampliação de repertório, e a participação nos clubes de leitura, além da sensação de pertencimento a um espaço de fala e escuta, incentiva a ressignificação de ações cotidianas e possibilita a conquista progressiva de protagonismo e autonomia dos participantes, tão importantes para a consciência coletiva e cidadã. Assim, não faltaram razões para que, num clima de emoção e felicidade entre diretoria de educação penitenciária, mediadoras, autor e participantes, tivéssemos uma das reuniões mais marcantes deste clube de leitura sempre tão especial!
Adoraria contar mais sobre a lei da remição, acerca dos nossos clubes de leitura sociais, do projeto de voluntariado, ou mesmo outras histórias lindas sobre leitores que vem me emocionando nos últimos quatro anos. Isso sem esquecer da minha própria experiência como mediadora. Mas não seria possível, nem valeria a pena, inundá-los, de uma vez só, com tantos assuntos.
Me despeço, assim, com uma citação de A sociedade da neve, de Pablo Vierci, livro debatido inúmeras vezes nos clubes, e que gosto infinitamente: “Éramos um grupo, e o objetivo era que cada um fizesse a sua tarefa, sem que nenhum líder ou semideus precisasse emitir ordens. Se havia algo ausente na sociedade da neve, era a ideia de protagonismo. Esta é, afinal, a sensação que tenho quando penso nos clubes de leitura.

* * * * *


Janine Durand é pedagoga e coordena o Núcleo de Incentivo à Leitura do Departamento de Educação da Companhia das Letras. Além disso, gosta de sentar em círculo.
Venha fazer parte!

http://www2.brasilliterario.org.br/pt/home



O Manifesto
O Movimento por um Brasil Literário manifesta sua intenção de concorrer para fazer do País uma sociedade leitora. Reconhecemos como princípio o direito de todos de participarem da produção também literária. No mundo atual, considera-se a alfabetização como um bem e um direito. Isto se deve ao fato de que com a industrialização as profissões exigem que o trabalhador saiba ler. No passado, os ofícios e ocupações eram transmitidos de pai para filho, sem interferência da escola.
Alfabetizar-se, saber ler e escrever tornaram-se hoje condições imprescindíveis à profissionalização e ao emprego. A escola é um espaço necessário para instrumentalizar o sujeito e facilitar seu ingresso no trabalho. Mas pelo avanço das ciências humanas compreende-se como inerente aos homens e mulheres a necessidade de manifestar e dar corpo às suas capacidades inventivas. Por outro lado, existe um uso não tão pragmático de escrita e leitura. Numa época em que a oralidade perdeu, em parte, sua força, já não nos postamos diante de narrativas que falavam através da ficção de conteúdos sapienciais, éticos, imaginativos.
É no mundo possível da ficção que o homem se encontra realmente livre para pensar, configurar alternativas, deixar agir a fantasia. Na literatura que, liberto do agir prático e da necessidade, o sujeito viaja por outro mundo possível. Sem preconceitos em sua construção, daí sua possibilidade intrínseca de inclusão, a literatura nos acolhe sem ignorar nossa incompletude.
É o que a literatura oferece e abre a todo aquele que deseja entregar-se à fantasia. Democratiza-se assim o poder de criar, imaginar, recriar, romper o limite do provável. Sua fundação reflexiva possibilita ao leitor dobrar-se sobre si mesmo e estabelecer uma prosa entre o real e o idealizado.
A leitura literária é um direito de todos e que ainda não está escrito. O sujeito anseia por conhecimentos e possui a necessidade de estender suas intuições criadoras aos espaços em que convive. Compreendendo a literatura como capaz de abrir um diálogo subjetivo entre o leitor e a obra, entre o vivido e o sonhado, entre o conhecido e o ainda por conhecer; considerando que este diálogo das diferenças, inerente à literatura, nos confirma como redes de relações; reconhecendo que a maleabilidade do pensamento concorre para a construção de novos desafios para a sociedade; afirmando que a literatura, pela sua configuração, acolhe a todos e concorre para o exercício de um pensamento crítico, ágil e inventivo; compreendendo que a metáfora literária abriga as experiências do leitor e não ignora suas singularidades.
Outorgando a si mesmo o privilégio de idealizar outro cotidiano em liberdade, e movido pela intimidade maior de sua fantasia, um conhecimento mais amplo e diverso do mundo ganha corpo, e se instala no desejo dos homens e mulheres promovendo os indivíduos a sujeitos e responsáveis pela sua própria humanidade. De consumidores passa-se a investidores na artesania do mundo. Por ser assim, persegue-se uma sociedade em que a qualidade da existência humana é buscada como um bem inalienável.
Liberdade, espontaneidade, afetividade e fantasia são elementos que fundam a infância. Tais substâncias são também pertinentes à construção literária. Daí, a literatura ser próxima da criança. Possibilitar aos mais jovens acesso ao texto literário é garantir a presença de tais elementos, que inauguram a vida, como essenciais para o seu crescimento. Nesse sentido é indispensável a presença da literatura em todos os espaços por onde circula a infância. Todas as atividades que têm a literatura como objeto central serão promovidas para fazer do País uma sociedade leitora. O apoio de todos que assim compreendem a função literária, a proposição é indispensável. Se é um projeto literário é também uma ação política por sonhar um País mais digno.

Escrito por Bartolomeu Campos de Queirós, em 2009, para lançamento do MBL.
                                    


segunda-feira, 26 de maio de 2014

O primeiro mutirão para o Ônibus-Biblioteca-Comunitária de Parelheiros aconteceu no dia 24/05

Mesmo com o frio e a garoa, todos os envolvidos se empenharam para deixar o espaço em que o ônibus está bonito e agradável.
A criação do jardim sustentável em pneus em volta do ônibus e o início da pintura do ônibus foi uma grande aventura, pois aconteceu em meio as dificuldades com o clima e o acesso.
Já conseguimos perceber muitos envolvidos com a causa e um espaço que com certeza trará muitos momentos agradáveis para a comunidade de Parelheiros.
Parabéns ao grupo e todos aqueles que acreditam na causa.
Em breve teremos a inauguração do ônibus-biblioteca-comunitária.
Aguardem!




segunda-feira, 19 de maio de 2014

Venha fazer parte deste grande momento da nossa São Paulo

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO


COMUNICADO

São Paulo, 14 de Maio de 2014.
Prezados (as) Senhores (as),

A Secretaria Municipal de Cultura e Secretaria Municipal de  Educação - SP têm o prazer de convidar as instituições abaixo listadas, para participarem de um encontro, no dia 20 de maio, no auditório da Galeria Olido, 8º andar, Avenida São João, 473 das 14h30 às 18h, onde será definida a constituição do Grupo de Trabalho (GT) para elaboração do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (PMLLLB) do Município de São Paulo.
O Grupo de Trabalho (GT) tem a finalidade de:
I – realizar o diagnóstico das ações de leitura em equipamentos de acesso público e privado, para o Município;
II – elaborar eixos temáticos de atuação, com inspiração no Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL);
III – realizar a construção democrática da redação oficial do PMLLLB, por meio de encontros regionais, e submetê-la à aprovação da comunidade paulistana por meio de plenárias a ser realizadas em 2014;
IV – promover ampla divulgação e registro, além de assegurar a infra-estrutura dos eventos e resultados relacionados à elaboração do PMLLLB;

V – participar das discussões sobre as políticas municipais, como o Plano Diretor da cidade e outras, que possam incluir as futuras ações previstas pelo PMLLLB.
O GT será composto por 02 (dois) representantes de cada órgão e entidade, de

 acordo com o Art. 2º da Portaria Intersecretarial nº 01/SMC/SME, relacionados

abaixo e que  devem ser  porta-voz do segmento em que atuam.

 I – Secretaria Municipal de Cultura;

II – Secretaria Municipal de Educação;

III – Secretaria Municipal de Direitos Humanos;

IV - Secretaria do Governo Municipal;

V – Grupo de Discussão (GD) do Plano Municipal do Livro e Leitura (PMLL);

VI – LiteraSampa;

VII – BibliASPA: Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul-Países Árabes;

VIII - Sindicato dos Jornalistas;

IX - Fórum Mudar São Paulo;

X – Senac;

XI – Sesc;

XII – Articulação dos Saraus Periféricos;

XIII – Comissão de Educação, Cultura e Esportes da Câmara Municipal;

XIV – Entidades representantes de escritores;

XV - Entidades representantes de editores e livreiros;

XVI - representantes dos direitos da pessoa com deficiência;

XVII - representantes de bibliotecas comunitárias. 

SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA E SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Fique por dentro do que vai acontecer no Conversas ao Pé da Página Conheça algumas obras do ilustrador Gabriel Pacheco

terça-feira, 6 de maio de 2014

SESC São Paulo, A Cor da Letra e Revista Emília

têm o prazer de anunciar os seminários

CONVERSAS AO PÉ DA PÁGINA IV - 2014

O direito à literatura: uma homenagem a Antonio Candido






Conheça a programação do Bloco 1:

Dias 13 e 14 de maio de 2014 - SESC Pinheiros
Dia 16 de maio de 2014 - SESC Sorocaba


SEMINÁRIOS

13/05/2014, TERÇA-FEIRA


14h - 15h30: O papel da ilustração na formação do leitor
Anna Castagnoli | Gabriel Pacheco | Renato Moriconi

16h - 17h30: Pensar o livro álbum
Antonio Ventura | Elisabeth Lortic | Cristina Correro

19h - 21h: A formação do jovem leitor literário
Daniel Delbrassine | Teresa Colomer | José Urriola

14/05/2014, QUARTA-FEIRA

14h - 15h30: Encontro entre livros e leitores
Ana Maria Machado | Aidan Chambers

16h - 17h30: O que os jovens estão lendo?
Rogério Pereira | Júlio Ludemir | Bruno Torturra

OFICINAS*

9h - 12h45, dias 13 e 14
Itinerários leitores para as primeiras idades
Cristina Correro (em espanhol)

9h - 12h45, dia 13
O que é uma novela juvenil?
Daniel Delbrassine (em francês, com tradução consecutiva)

9h - 12h45, dia 14
Ritmo e estilo: descobrindo como funciona o álbum ilustrado
Anna Castagnoli (em francês - com tradução consecutiva)

CONVERSAS NA BIBLIOTECA

15/05/2014, QUINTA-FEIRA

CONVERSAS PARALELAS*
Local: Biblioteca Monteiro Lobato
Rua General Jardim, 485 - Vila Buarque, SP

Teresa Colomer: "A discussão das crianças sobre o livro álbum"
9h30 - 11h30 (em espanhol)

Gabriel Pacheco: "A pulsão do improvável"
14h - 17h (em espanhol)
NA BIBLIOTECA
Local: Auditório da Secretaria de Estado da Cultura
Rua Mauá, 51 - 1º andar - Luz, SP

* Workshop de Sue Wilkinson (Reading Agency)
"O papel das bibliotecas nos programas de apoio à leitura"
(em inglês - tradução simultânea)

Realização em parceria com a Unidade de Biblioteca e Leitura, SP Leituras - Organização Social de Cultura, Secretaria de Estado da Cultura, Governo de São Paulo, British Council e Conversas ao Pé da Página.

Informações e inscrições pelo e-mail:bibliotecaseleitura@sp.gov.br
(Vagas limitadas - período de inscrição de 02/05 a 12/05/2014)

CONVERSAS EM SOROCABA - SESC Sorocaba

16/05/2014, SEXTA-FEIRA


Pensar o livro álbum
Antonio Ventura | Anna Castagnoli | Elisabeth Lortic

Oficina:
O papel das bibliotecas nos programas de apoio à leitura
Sue Wilkinson (Reading Agency)


* Todas as atividades marcadas com asterisco são pagas e sujeitas a disponibilidade de vagas.



      

LiteraSampa participa do Encontro Regional com IC&A em Itaipava















Vá para galeria de fotos!
Você é nosso convidado especial para o 3º Cine Debate 
da 
Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura




O Grupo dos Escritureiros realizou mais um Cine Debate com um grande filme

Aconteceu em abril, na Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura, mais um Cine Debate agora com o filme “O Diário de Anne Frank”.
Escolhido pelos próprios jovens, que, acolhidos em um ambiente aconchegante, se emocionou com a história da menina de apenas 13 anos que conta sua história regada de medos, desafios e esperança. 
Após o filme um silêncio instalou-se. Apenas lágrimas e olhares indignados naquele ambiente que  trazia as instigantes inquietações de Anne Frank.
A partir das palavras de Anne: “- Quero continuar vivendo depois de morta.” o debate teve início. 
A essência de Anne Frank em acreditar na liberdade, em sonhar que tudo podia ser diferente provocou nos jovens o desejo de lutar pelos seus sonhos e pensar como a sociedade os trata. Trouxeram a questão do preconceito, violência, estupro, situações complicadas com a família, que como Anne, conseguem lidar.
O grupo trouxe as questões do jovem na sociedade de hoje. Seus sonhos e desejos, suas inquietações.
Refletiram sobre a importância do diário, como uma forma de manter a memória viva que hoje em dia acaba se perdendo com o avanço tecnológico.
O filme traz uma visão de mundo que muitos não enxergam.
O grupo pode traçar um paralelo com o filme anterior, "Escritores da Liberdade", que traz também a questão da guerra entre gangues e os sonhos.
O filme emocionou, instigou, mexeu, levou todos há outros tempos, outras épocas, trouxe questões diversas que continuam incomodando e que deve continuar as discussões para a transformação.


“Liberdade e uma reflexão se somos realmente livres. Como a mídia nos aprisiona e nos influencia. Sempre há alguém ditando regras. O jovem quer mudança. Hoje, ainda aprisionados, continuamos morrendo. Corpos livres, mentes fechadas. O que é democracia?”