http://www2.brasilliterario.org.br/pt/home
O
Manifesto
O Movimento por um
Brasil Literário manifesta sua intenção de concorrer para fazer do País uma
sociedade leitora. Reconhecemos como princípio o direito de todos de
participarem da produção também literária. No mundo atual, considera-se a
alfabetização como um bem e um direito. Isto se deve ao fato de que com a
industrialização as profissões exigem que o trabalhador saiba ler. No passado,
os ofícios e ocupações eram transmitidos de pai para filho, sem interferência
da escola.
Alfabetizar-se,
saber ler e escrever tornaram-se hoje condições imprescindíveis à
profissionalização e ao emprego. A escola é um espaço necessário para
instrumentalizar o sujeito e facilitar seu ingresso no trabalho. Mas pelo
avanço das ciências humanas compreende-se como inerente aos homens e mulheres a
necessidade de manifestar e dar corpo às suas capacidades inventivas. Por outro
lado, existe um uso não tão pragmático de escrita e leitura. Numa época em que
a oralidade perdeu, em parte, sua força, já não nos postamos diante de
narrativas que falavam através da ficção de conteúdos sapienciais, éticos,
imaginativos.
É no mundo possível
da ficção que o homem se encontra realmente livre para pensar, configurar
alternativas, deixar agir a fantasia. Na literatura que, liberto do agir
prático e da necessidade, o sujeito viaja por outro mundo possível. Sem
preconceitos em sua construção, daí sua possibilidade intrínseca de inclusão, a
literatura nos acolhe sem ignorar nossa incompletude.
É o que a
literatura oferece e abre a todo aquele que deseja entregar-se à fantasia.
Democratiza-se assim o poder de criar, imaginar, recriar, romper o limite do
provável. Sua fundação reflexiva possibilita ao leitor dobrar-se sobre si mesmo
e estabelecer uma prosa entre o real e o idealizado.
A leitura literária
é um direito de todos e que ainda não está escrito. O sujeito anseia por
conhecimentos e possui a necessidade de estender suas intuições criadoras aos
espaços em que convive. Compreendendo a literatura como capaz de abrir um
diálogo subjetivo entre o leitor e a obra, entre o vivido e o sonhado, entre o
conhecido e o ainda por conhecer; considerando que este diálogo das diferenças,
inerente à literatura, nos confirma como redes de relações; reconhecendo que a
maleabilidade do pensamento concorre para a construção de novos desafios para a
sociedade; afirmando que a literatura, pela sua configuração, acolhe a todos e
concorre para o exercício de um pensamento crítico, ágil e inventivo; compreendendo
que a metáfora literária abriga as experiências do leitor e não ignora suas
singularidades.
Outorgando a si
mesmo o privilégio de idealizar outro cotidiano em liberdade, e movido pela
intimidade maior de sua fantasia, um conhecimento mais amplo e diverso do mundo
ganha corpo, e se instala no desejo dos homens e mulheres promovendo os
indivíduos a sujeitos e responsáveis pela sua própria humanidade. De
consumidores passa-se a investidores na artesania do mundo. Por ser assim,
persegue-se uma sociedade em que a qualidade da existência humana é buscada
como um bem inalienável.
Liberdade,
espontaneidade, afetividade e fantasia são elementos que fundam a infância.
Tais substâncias são também pertinentes à construção literária. Daí, a
literatura ser próxima da criança. Possibilitar aos mais jovens acesso ao texto
literário é garantir a presença de tais elementos, que inauguram a vida, como
essenciais para o seu crescimento. Nesse sentido é indispensável a presença da
literatura em todos os espaços por onde circula a infância. Todas as atividades
que têm a literatura como objeto central serão promovidas para fazer do País
uma sociedade leitora. O apoio de todos que assim compreendem a função
literária, a proposição é indispensável. Se é um projeto literário é também uma
ação política por sonhar um País mais digno.
Escrito por
Bartolomeu Campos de Queirós, em 2009, para lançamento do MBL.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Participe comentando!