Para celebrar esta data, uma poesia do angolano Agostinho Neto, olhando seu continente com as palavras.
Fogo e ritmo
Sons de grilhetas nas estradas
cantos de pássaros
sob a verdura úmida das florestasfrescura na sinfonia adocicada
dos coqueirais
fogo
fogo no capim
fogo sobre o quente das chapas do Cayatte.
Caminhos largos
cheios de gente cheios de gente
em êxodo de toda a parte
caminhos largos para os horizontes fechados
mas caminhos
caminhos abertos por cima
da impossibilidade dos braços.
Fogueiras
dança
tamtam
ritmo
Ritmo na luz
ritmo na cor
ritmo no movimento
ritmo nas gretas sangrentas dos pés descalços
ritmo nas unhas descarnadas
Mas ritmo
ritmo.
Amanhã no Museu Afro Brasil, dia 26, acontece anova edição de "Aos pés do Baobá" para crianças a partir de cinco anos. Serão apresentados os contos africanos “A infinita fiadeira” (Mia Couto) e “Elefante antes, Elefante outra vez” (conto popular do Chade).

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