Um passarinho pediu a meu irmão para ser sua árvore.
Meu irmão aceitou de ser a árvore daquele passarinho.
No estágio de ser essa árvore, meu irmão aprendeu de
sol, de céu e de lua mais do que na escola.
No estágio de ser árvore meu irmão aprendeu para santo
mais do que os padres lhes ensinavam no internato.
seu olho no estágio de ser árvore aprendeu melhor o azul
E descobriu que uma casa vazia de cigarra esquecida
no tronco das árvores só serve pra poesia.
No estágio de ser árvore meu irmão descobriu que as árvores são vaidosas.
Que justamente aquela árvore na qual meu irmão se transformara,
envaidecia-se quando era nomeada para o entardecer dos pássaros
e tinha ciúmes da brancura que os lírios deixavam nos brejos.
Meu irmão agradecia a Deus aquela permanência em árvore
porque fez amizade com muitas borboletas."
Homem-menino-pássaro este é o nosso querido Manoel de Barros, que hoje alça vôo como pássaro e vai abrilhantar o céu com sua inocência de criança, sua sabedoria de homem e sua alma de natureza e nos iluminar com sua linda poesia.
Palavras profundas, que nos faz ficar com um enorme ponto de interrogação na cabeça quando lemos, mas que nos transporta para um lugar mágico e lindo.
Como fotografar o silêncio, como pegar o olhar do pássaro, como ser completo de vazios...
Hoje morre nosso eterno menino-pássaro, aos 97 anos e nos deixa seu legado poético em uma busca de nos tornar mais humanos.
Salve Manoel de Barros!!!
"Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho
1 abridor de amanhecer
1 prego que farfalha
1 encolhedor de rios -e
1 esticador de horizontes"
1 abridor de amanhecer
1 prego que farfalha
1 encolhedor de rios -e
1 esticador de horizontes"


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