Escritureiros e Artemanha realizam evento de inauguração do Bibliosesc no Jardim Mirna e Parelheiros.
Com muita música, dança, teatro e poesia, os jovens alegraram o bairro e convidaram a comunidade e os alunos a conhecerem e participarem da Biblioteca Móvel do SESC. Com um rico acervo e um espaço acolhedor, todos são convidados a emprestar livros e se associar a biblioteca.
As poesias sobre a infância, mulheres e literatura afro brasileira, o encantamento das poesias de Manoel de Barros e cenas do clássico Dom Casmurro.
O menino que carregava água na peneira
Tenho um livro sobre
águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.
A mãe disse que
carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o
mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado
em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o
menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele
menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.
Com o tempo descobriu
que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever o menino
viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a
usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de
modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.
A mãe reparava o
menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os
vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!
(Manoel de Barros)
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| Momento de integração |
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| Artemanha e Escritureiros |
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| Cena de Dom Casmurro |
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| Leitura de poesias |
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| Cena de Dom Casmurro |
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