terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Depoimento de uma leitora - por Luciana Maciel, Casa Mateus

Todos sabem que eu não sou uma devoradora de livros e infelizmente isso foi conseqüência das leituras “obrigadas” a fazer desde a antiga 5ª série do ensino fundamental. Todo esse trauma se estendeu até 1º ano da Faculdade.
Na Faculdade o professor de Literatura solicitou um estudo da obra “Os Lusíadas” de Luis Vaz de Camões, imaginem, fiquei aflita, como Eu que não tinha o hábito da leitura poderia ler  a obra maior da literatura portuguesa, via páginas e mais páginas, fui me afeiçoando àquela forma tão poética  e  com tantos nomes nunca ouvidos...fui aos poucos, não desisti. Ao fim percebi que essa leitura obrigada não havia sido tão traumática como a de anos anteriores.
Depois dessa experiência vieram outros, O Cortiço - Aluísio Azevedo, Macbeth - William Shakespeare, Cobra Norato - Raul Bopp entre outros. A leitura foi desmistificada, porém, ainda não me despertava aquela sede, mesmo porque ainda estava associada a trabalhos universitários...
Decepções, tristezas e problemas me fizeram buscar a literatura de autoajuda, há muitos que não a valorizam, mas o que posso dizer é que naquele momento encontrei as palavras que precisava.
Agora eu buscava a leitura, não para trabalhos, mas sim, como forma de companhia.
O lado leitor foi despertando aos poucos, lia uma obra aqui depois de muito tempo outra obra ali, e assim foi.
Fiquei um ano sem ler, e fui “obrigada” a voltar agora, com o nosso amigo livro (realizado na confraternização do LiteraSampa). Pensei: Ai,  será que conseguirei, que obra vou ganhar, será que vou gostar, e várias interrogações pairavam no ar....não apenas pensando no que  ia receber mas também no que ia ofertar...
Chegou o dia, estávamos todos muito a vontade naquela sala acolhedora, rodeada de pessoas que lutam pela disseminação do ato de ler, de pessoas com que fomos aprendendo a conviver, a respeitar, admirar e trabalhar.
Meu presente foi o livro A cidade do sol, Khaled Hosseini, dado pela  colega de trabalho Cássia da Fundação Heydenreich. Já tinha ouvido ótimas críticas a respeito mas só consegui dar início a leitura no sábado passado dia 22 e a cada página lida aquela vontade “louca” de prosseguir e querer saber o que vai acontecer....
No dia 25 finalizei minha leitura, o que posso dizer...nunca, nunca li algo que me despertasse tanta emoção, odiei Nana, odiei Jalil e suas esposas, Rashid então, não tenho palavras para descrever tamanho nojo, desprezo e raiva, Laila, Tariq, Aziza, Zalmai e principalmente Mariam, ah Mariam... cada passagem um sentimento diferente, dó, raiva, compaixão, orgulho e saudade...quantas vezes chorei com tão minuciosa descrição, pude sentir todas suas dores.
Portanto, quero agradecer a Cássia de todo o meu coração a escolha deste livro para mim e sei que meu “eu” leitor em 2011 estará sempre presente.

Luciana Maciel - Casa Mateus
Polo LiteraSampa

Um comentário:

  1. Nossa, acho que não vou dar conta de escrever tanto assim... Mas que bom que os livros estão curando o seu trauma Lu.

    Beijos e Parabéns

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