quinta-feira, 19 de setembro de 2013

LiteraSampa no Facebook



É notável o crescimento de pessoas/ organizações que se utilizam das redes sociais para promover a divulgação de seus "trabalhos". Mediante a esse crescimento, o Polo de Leitura LiteraSampa tem uma página no Facebook.
Na página você poderá encontrar informações sobre os eventos e também sobre as ações que as cinco bibliotecas comunitárias  desenvolvem nos seus municípios.


https://www.facebook.com/LiteraSampa

Escritureiros de seu destino




"E lá vem a macumba!", diz a menina, entre risos, juntamente com todos os que passam pela rua ou esperam a abertura dos portões da Escola Estadual Prof. Belkice Manhães Reis, em Parelheiros, no extremo sul da capital paulista. Ela bem sabe que não se trata de candomblé, mas o espanto inicialmente causado pelo surgimento de um grupo de adolescentes vestindo roupas coloridas e batendo instrumentos de percussão vai ser sempre assim lembrado pelos moradores do bairro. Agora, todos já estão acostumados a ouvir e a receber com boa vontade os garotos e garotas bem-humorados que circulam pelas ruas empoeiradas no projeto Cortejos Literários, para contar histórias e dar seu testemunho sobre a importância da leitura literária para o desenvolvimento humano. 

Os Cortejos Literários acontecem mensalmente, e nada há neles de improviso. Compõem um conjunto de estratégias de mediação da leitura executadas pelos integrantes do polo de leitura LiteraSampa, núcleo de organizações sociais imbuído de promover a leitura e criado com o apoio do Instituto C&A. A ação dos jovens de Parelheiros, último bairro de São Paulo já pregado à serra do Mar, se liga ao trabalho do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (Ibeac), um dos integrantes do polo LiteraSampa. Dos Cortejos Literários, participam 23 autodenominados "escritureiros", adolescentes e jovens com idade entre 14 e 23 anos, que se envolvem em todas as ações do projeto, inclusive na gestão. 

A história do grupo começou em 2008, quando o Ibeac identificou na região a ausência de projetos voltados ao público juvenil. Foi então iniciada uma reflexão com adolescentes e jovens sobre os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, uma releitura da carta conforme a realidade vivida na comunidade. O diagnóstico, construído por eles junto à população local, tornou evidente, por exemplo, a ausência de bibliotecas. 

Daí começaram a surgir projetos de mediação da leitura, denominados Pílulas de Leitura, atividade realizada no início em um posto de saúde da região e posteriormente em outros espaços. As propostas evoluíram e cresceram – sempre tendo os jovens como protagonistas. "No LiteraSampa levamos todos os jovens para instâncias de decisão do polo. Em todas as ações, eles estão presentes, e isso ajuda a desmontar preconceitos", conta a coordenadora Isabel dos Santos Mayer, do Ibeac. 


Mais vivos do que nunca
Como desdobramento do trabalho então iniciado, foi criada uma biblioteca em uma pequena propriedade localizada num terreno contíguo ao cemitério alemão existente no local – a região foi das primeiras de São Paulo a receber imigrantes, ainda no início do século XIX. Por mais exótico que pareça, a Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura nasceu viva e acolhedora, em uma casa cedida pela administração do cemitério. 

Os jovens se envolveram em toda a preparação do espaço e na organização do ambiente. O primeiro acervo foi comprado pelo Instituto C&A. Inaugurada em julho de 2010, a biblioteca logo se tornou um sucesso de público, atingindo a média de 20 empréstimos diários. Com mais 3,5 mil livros selecionados e catalogados, funciona para consulta às segundas e quartas-feiras e aos sábados. Às terças e quintas-feiras, acontecem ali oficinas de leitura. 

As ações de promoção da leitura implementadas são discutidas no âmbito do Ibeac – que se ocupa da formação permanente dos jovens – e são concretizadas pelos escritureiros, que se reúnem diariamente na biblioteca comunitária. O projeto mais recente é o Sementes, uma atividade de contação de histórias realizada na casa de gestantes e que reúne futuras mães da vizinhança. Como sugere o nome, o objetivo do trabalho é semear entre as jovens a importância de ler e de contar histórias para os rebentos que estão chegando. 


Transformação pela leitura
É uma boa analogia. A leitura de ficção vem plantando sementes corajosas na região distante, bem mais perto do litoral do que do centro da metrópole, sobretudo entre os jovens escritureiros, que encontraram nos livros o seu projeto de vida. Que o diga Rafael Simões, de 20 anos, que agora lê ao menos cinco livros mensais e concluiu um curso de técnico em biblioteconomia, aproveitando uma oportunidade surgida nas atividades do Ibeac. Ou Renan Gomes, leitor de Shakespeare e de obras que tratam da afirmação da identidade afro-americana, cujo desempenho escolar deu um salto depois de se integrar à turma dos Cortejos Literários. 

E assim também Eduardo Alencar, estudante de pedagogia; Silvani e sua irmã Sidnéia Chagas, que sonha com a gastronomia; Douglas Simões... Cada jovem tem uma história de transformação, catalisada pela participação social por via da leitura. Em comum, além da origem em um contexto social desafiador, todos tinham o fato de sentir pouco apreço pelo ato de ler, sempre associado às obrigações escolares. Hoje, mais do que leitores, são pessoas que acreditam no poder da leitura para a humanização da sociedade. 

Na pele de mediadores, os escritureiros também ganharam oportunidades raras de formação e vivência cultural. Apenas em 2012, participaram da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty (RJ), bem como foram a Porto Alegre (RS) e a Salvador (BA) participar dos encontros nacionais dos polos de leitura do programa Prazer em Ler do Instituto C&A. 

O retorno obtido pelos jovens manifesta-se não só no amadurecimento dos projetos que desenvolvem, mas também na construção de laços afetivos. Orgulham-se em contar que as crianças das escolas cobram sua visita, reconhecem-nos em ônibus e demonstram afeto. Como uma espiral, as mudanças espalham-se por outras dimensões – internas, como no caso de Caio Pereira, que se integrou ao grupo timidamente, gaguejando na leitura, e agora surpreende pela desenvoltura; ou sociais, com impactos na dinâmica familiar dos jovens, semeando novas expectativas. "Muita gente que hoje está aqui vivia à toa e sem perspectivas em casa. O projeto tirou pessoas de caminhos de risco", diz Sidnéia Chagas. O grupo concorda. 


Na comunidade e na política
As atividades realizadas rotineiramente pelos escritureiros do Ibeac se inserem em um contexto maior que compõe o pano de fundo do trabalho do LiteraSampa e de todos os polos de leitura apoiados pelo Instituto C&A: a incidência nas políticas públicas do livro e da leitura. Com seis organizações-membros, em 2012 o LiteraSampa participou e convocou debates sobre o desenvolvimento dos planos municipais do livro e da leitura em São Paulo e também em cidades circunvizinhas, como Guarulhos (SP). 

Ao mesmo tempo, no plano da ação comunitária, o polo trabalha para aumentar o envolvimento com as escolas da região onde atua. É o caso do trabalho realizado na Escola Estadual Prof. Belkice Manhães Reis, entre outras de Parelheiros. Nesta unidade educacional, que oferece ensino fundamental e médio, a biblioteca era fechada, e foi reaberta pela atuação dos adolescentes e jovens. "Nossa escola vem trabalhando fortemente sobre a leitura, e as mediações dos escritureiros são bem-vindas e fazem diferença", diz a diretora Sandra Marciano de Oliveira. "O trabalho dos jovens é maravilhoso. Incentiva as crianças e vai ao encontro do trabalho que queremos fazer na escola", assinala.




quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Incentivo à leitura - História de sucesso!

Projeto Parelheiros: inclusão da literatura no dia a dia

Fassada da Biblioteca Parelheiros
Região praticamente desconhecida de boa parte dos paulistanos, Parelheiros tem rica memória cultural. Projeto de incentivo à leitura resgata tradições locais e leva a literatura ao alcance dos moradores através de livros de qualidade, espaço aconchegante, mediadores-leitores e ligação com a comunidade.Ao som de tambores, entoados por um grupo de 25 adolescentes e jovens, os versos do “Cortejo de Leitura” chegam de Parelheiros – extremo sul da cidade de São Paulo – anunciando que a leitura já vai começar. As crianças vão entrando na roda, os adultos se dividem entre os que acompanham com palmas e os que disparam olhares de estranhamento. A roda vai se formando. Na terceira repetição dos versos, uma sacola transforma-se em tapete e dela saem livros e mais livros. É anunciada a leitura que será feita. Geralmente um poema ou um conto de fadas. E o silêncio se faz.
Depois da primeira leitura, não é raro que um espectador se anime e declame um poema de própria autoria. As crianças rapidamente ocupam o tapete, devoram os livros e vivem outros personagens e suas histórias. A mediação dura cerca de quarenta minutos. Acontece na porta de escolas, no ponto final de ônibus, próximo à feira livre, onde tiver gente. A prática é um convite para que os moradores visitem a Biblioteca Caminhos da Leitura e incluam a leitura de livros em suas vidas.
O grupo de adolescentes e jovens Escritureiros (Aventureiros da Escrita de Parelheiros) tem de 14 a 23 anos. Eles se encontram desde 2008, quando o Ibeac (Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário), organização social que trabalha com direitos humanos, decidiu concentrar parte de suas ações numa região com baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e contribuir para mudanças.

Falta de espaços culturais

Projeto Parelheiros. Foto: Grupo Escritureiros
A escolha de Parelheiros justificou-se pelo fato de que a região, na época, ocupava o último lugar nos rankings de avaliação das condições de vida nas 31 subprefeituras da cidade de São Paulo. Embora seja Área de Proteção Ambiental (APA Capivari Monos e Bororé-Colônia), com destacado patrimônio verde e hídrico, e rica diversidade humana e cultural, poucas notícias valorizavam a região. Para lá migraram, nos séculos XIX e XX, alemães e japoneses, que passaram a conviver com duas aldeias indígenas (Tenondé Porã e Krukutu) e com afrobrasileiros. Apesar de Parelheiros fornecer 30% da água consumida pelos paulistanos, estes desconhecem a região.

Após reuniões com lideranças comunitárias e representantes dos serviços públicos, definiu-se como prioritário o trabalho com jovens. Aproveitando a comemoração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Ibeac e outros parceiros convidaram 60 adolescentes, de três regiões da cidade de São Paulo, para produzir um diagnóstico dos direitos humanos em seus bairros. Dentre as situações denunciadas estava a ausência de espaços culturais. Desta forma, escreveu-se o projeto de criação de uma biblioteca comunitária. Em 2009, graças ao apoio do Programa Prazer em Ler do Instituto C&A, Parelheiros teria sua primeira biblioteca de acesso público.

Da unidade de saúde ao cemitério

Um local para instalar a biblioteca não foi muito fácil. Os bairros de atuação do projeto têm poucos equipamentos públicos e os que existem são utilizados em cada centímetro. Com generosidade, encontrou-se uma sala da Unidade Básica de Saúde (UBS) de Colônia. Embora modesta, foi suficiente para acomodar as estantes, os livros e as formações. O grupo aprendeu sobre mediação de leitura, organização de espaço, catalogação e classificação de acervo; visitou as principais livrarias de São Paulo e importantes eventos literários como a Flip – Feira Literária Internacional de Paraty – e a Bienal do Livro de São Paulo. Seus membros foram a lançamentos de livros e a bate-papo com autores. E realizaram mediação de leitura para mais de três mil crianças em escolas da região; organizando saraus literários sobre mulheres na literatura, Contos de Grimm e contos de terror.
Projeto Parelheiros: Local de leitura. Foto: Grupo Escritureiros
Os Escritureiros e a biblioteca passaram a ser conhecidos e reconhecidos. O grupo crescia de um lado, as demandas do serviço de saúde de outro. Aos poucos, o espaço da UBS foi encolhendo, exigindo a busca de um novo lugar. Todos se empenharam e pensaram várias alternativas, entre elas, o Cemitério Alemão de Colônia, o mais antigo da cidade de São Paulo, que contava com uma casinha desocupada. A parceria se fez e a casa foi emprestada ao Ibeac. A reforma se deu em mutirão a partir dos princípios da permacultura: tinta de terra, jardim em espiral, captação de água de chuva, banco de adobe. Em 2012, após nova reforma, o espaço foi aberto.


Resgate de tradições e memória

A biblioteca conta hoje com mais de dois mil títulos literários. Quatro jovens atuam como articuladores frente aos serviços da região, elaborando e coordenando os projetos: Sementes de Leitura para bebês, grávidas, mães e educadores de crianças pequenas; Cortejo de Leitura, que leva poesia e música para as ruas, além de estandartes bordados com as histórias dos três bairros; e Griot de geração em geração, que pretende registrar em textos e imagens a tradição oral dos moradores de Parelheiros.
Estes projetos estão inseridos numa proposta ambiciosa de fazer de Parelheiros um museu a céu aberto, com percursos artísticos (estêncil, grafite e xilogravura), interligando a paisagem natural dos bairros de Colônia, Nova América e Barragem. Os jovens vão registrar as histórias de migração, as memórias gastronômicas e as histórias dos objetos herdados por descendentes de alemães, afrobrasileiros, indígenas e japoneses. O projeto está em fase final de captação de recursos, o que possibilitará a formação de cem adolescentes, visita a espaços culturais e exposições da cidade, bem como intercâmbio com jovens inseridos em projetos de outros museus.

"Cidade de leitores"

Projeto Parelheiros: Cortejo Literário. Foto: Grupo Escritureiros
O Ibeac e os Escritureiros aprenderam desde cedo que um país de leitores se faz a muitas mãos. São necessários livros de qualidade, espaço aconchegante, mediadores-leitores, enraizamento comunitário. Com esta convicção, em 2010, juntou-se a outras organizações sociais da região metropolitana de São Paulo, que mantém bibliotecas e projetos de leitura e criou o Polo LiteraSampa. Com apoio do PPL/IC&A e parceria com escolas, empresas, universidades, institutos de formação etc, ele atende mensalmente mais de quatro mil usuários e já realizou cinco seminários de leitura (LiteraSampa e LiteraSampinha), saraus e oficinas literárias.

Em parceria om o Goethe-Institut São Paulo realizou oficinas para mediadores de leitura: “O rádio como meio de promoção da capacidade de leitura para crianças e jovens” com Wolfgang J. Fischer, jornalista, diretor da Radijojo em Berlim, e “Tudo o que os livros escondem - a experiência do projeto alemão Pinselfisch”, com a ilustradora Jule Pfeiffer-Spiekermann. O LiteraSampa está ainda empenhado em contribuir no processo de elaboração do Plano Municipal do Livro e da Leitura de São Paulo - PMLL/SP. Para tal, vem disseminando a ideia do acesso à leitura e à escrita como direito humano e envolvendo diferentes atores para que São Paulo seja reconhecida como uma cidade de leitores.
Bel Santos Mayer
é educadora social, formada em Ciências Matemáticas pela Universidade São Judas Tadeu, com especialização em Pedagogia Social pela Universidade Salesiana de Roma. Desde 1988 atua em organizações não governamentais. É empreendedora social da Ashoka. Desde 1997 coordena o Programa de Direitos Humanos do IBEAC. Faz parte da coordenação colegiada do Polo de Leitura LiteraSampa.Copyright: Goethe-Institut Brasilien
Agosto de 2013

http://www.goethe.de/ins/br/lp/kul/dub/ske/pt11521166.htm
  Encontro Municipal de Mobilização para o PMLL/  São Paulo

Na sexta-feira 13, aconteceu o tão esperado Encontro Municipal de Mobilização para o PMLL/SP, no Centro Cultural São Paulo.
Com o objetivo de aprofundar e ampliar a discussão sobre a necessidade de um conjunto articulado de políticas públicas voltadas à promoção do acesso da população ao livro, à leitura, à literatura e às bibliotecas públicas, escolares e comunitárias no município de São Paulo.
Estavam presentes aproximadamente 180 pessoas que participaram das mesas de discussão do tema e as oficinas de: Democratização do acesso, Fomento à leitura e à formação de mediadores, Valorização institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico e Desenvolvimento da economia do livro.

O encontro foi de grande riqueza e aprofundamento a respeito do direito ao livro e a leitura.

Parabéns G.D. pelo lindo evento.

Em breve, mais informações!
Abertura Oficial


Mesa sobre a Sistemática de elaboração do PMLL


Oficinas


Cortejo de Leitura de Parelheiros